FUNCIONÁRIOS SEM COMPROMETIMENTO AFETAM SUA GESTÃO

comprometimento

O tema “falta de comprometimento dos funcionários” é um dos mais comentados por diretores e gerentes de empresas em todo país nos dias de hoje. Independente do segmento de atuação, essa questão é abordada desde reuniões importantes até em happy hours pós expediente.

Criticar é fácil, porém a pergunta que deve ser feita é: o que esses diretores e gerentes têm feito para mudarem este cenário?

Ou melhor: o que eles fizeram para chegarem a este cenário?  Na maioria das vezes, dois fatores são os campeões das justificativas:

  1. o fator cultural do brasileiro ser esperto e querer tirar vantagem em tudo, empurrando o emprego com a barriga por conta do salário no final do mês;
  2. além do nosso governo assistencialista, que entre outras coisas, bonifica sem muitos critérios parte significativa da população ativa com o seguro desemprego.

fatores externos influenciam

Não devemos ser hipócritas e afirmarmos que esses fatores não  são influências relevantes no cenário da falta de comprometimento dos funcionários com suas respectivas empresas e superiores, porém, por mais prejudicial que seja, este é um cenário que provavelmente se manterá por muito tempo e é apenas mais um dos inúmeros pontos negativos que dificultam a vida da maioria das empresas e, consequentemente, de seus líderes.

Teorias psicológicas, filosóficas e antropológicas afirmam que o meio  altera o comportamento do homem.

Muitas dessas teses defendem que uma pequena parte da população é o que é em qualquer circunstância, porém a grande maioria está inserida numa faixa das que dependem das circunstâncias e oportunidades.

Seguindo essa linha de raciocínio, cerca de 7% das pessoas são genuinamente comprometidas, 7% são imutavelmente descomprometidas e as outras 86% dependem do meio e das oportunidades em que vivem.

dia a dia de pessoas desmotivadas

Um brasileiro padrão, que vive em uma grande cidade, trabalha em um escritório de segunda a sexta-feira e esta cursando a universidade, dorme em média sete horas por noite, gasta em torno de três horas no trânsito, tem três horas e meia de aula, uma hora de almoço e trabalha por oito horas e 42 minutos.

Assim, sobra a ele 48 minutos para as demais refeições, entre outras tarefas extras.

O exemplo acima serve para comprovar que o meio em que a pessoa vive a maior parte do seu tempo é a empresa em que ela trabalha. Sendo assim, o maior influenciador também passa a ser as coisas que acontecem durante o trabalho.

Nós mesmos, que criticamos a falta de comprometimento de nossos funcionários, reconhecemos como diferencial tal atitude no esporte.

Quem é o treinador mais reconhecido hoje em dia e qual sua principal característica?

A resposta é: Bernardinho e sua capacidade de motivar a equipe, permitindo-lhe trabalhar sempre com jogadores comprometidos.

O técnico da nossa seleção de futebol também foi escolhido pela capacidade de criar um grupo comprometido, chamado de “Família Scolari” em sua primeira passagem pelo selecionado brasileiro, em 2002, e é o que busca repetir agora, 12 anos depois.

analogia com esporte

Você poderá fazer a seguinte observação: mas esporte é esporte e empresa é empresa. É aí que está o engano, pois trabalho é trabalho. Ser jogador de futebol no contexto geral é uma função similar a de um assistente de atendimento em uma empresa.

As duas profissões exigem cumprimento de horários e compromissos, são realizadas análises de desempenho, necessitam de trabalho em grupo, entre outras similaridades.

Resumindo, a maioria das pessoas que reclama da falta de comprometimento de sua equipe de trabalho – sem mexer um palito do lugar para que esse cenário seja modificado enaltece treinadores com capacidade de motivar e criar comprometimento em trabalhadores muitas vezes milionários, quando, o raciocínio mais lógico seria,

O profissional que ganha 1 milhão de dólares por mês não precisa de um líder preocupado com sua motivação e seu comprometimento; diferentemente do profissional que ganha 2 mil reais e fica três horas por dia parado no trânsito e pensando nas contas que terá de quitar até o final do mês.

 

o que fazer ?

Senhores líderes de equipes que desejam funcionários comprometidos, tenham a ciência de que a sua interferência é crucial, assim como a de Bernadinho e a do Felipão frente às suas equipes. Preocupe-se com cada funcionário, entenda o que o motiva, quais são as suas fraquezas e quais as suas qualidades.

Crie para ele objetivos a curto, médio e longo prazo. Tire-o da zona de confronto, entenda o que o desafia.

Ouça suas opiniões e leve em consideração; faça com que ele se sinta parte da empresa. Avalie-o, direcione-o e o premie por objetivos alcançados. Com essas atitudes, você vai perceber que seus funcionários se tornarão muito mais comprometidos.

 

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Ricardo Karpat
Sobre Ricardo Karpat 8 Artigos
Diretor da Gábor RH. Especialista em Recursos Humanos, possui experiência profissional de 15 anos no segmento de condomínios. Formado em Administração de Empresas pela FAAP e Pós-Graduado em Marketing pela Universidade Mackenzie. Editorialista da CONDOMÍNIO EM ORDEM. Mais informações: ricardo@gaborRH.com.br